segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lista 27/05

PNEU FURADO
    O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.
    Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo “Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.
    ─ Você tem macaco? ─ perguntou o homem.
    ─ Não ─ respondeu a moça.
    ─ Tudo bem, eu tenho ─ disse o homem ─ Você tem estepe?
    ─ Não ─ disse a moça.
    ─ Vamos usar o meu ─ disse o homem.
    E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça.
    Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
    Dali a pouco chegou o dono do carro.
    ─ Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
    ─ É. Eu… Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.
    ─ Coisa estranha.
    ─ É uma compulsão. Sei lá.
(Luís Fernando Veríssimo. Livro: Pai não entende nada. L&PM, 1991).

Questões
1) Em relação à compreensão do texto, analise os itens abaixo:
I – O pneu do ônibus estava furado.
II – A moça não era dona do carro que estava com pneu furado.
III – O dono do carro agradeceu ao homem por ter trocado o pneu do carro.
Está(ão) CORRETO(S):
a) Apenas o item III.
b) Apenas os itens II e III.
c) Apenas o item I.
d) Apenas o item II.
e) Todos os itens.

2) Na última parte do texto, “─ É uma compulsão. Sei lá.”, podemos concluir que:
a) a fala é da moça.
b) a fala é do dono do carro.
c) a fala é do motorista do ônibus.
d) a fala é do borracheiro.
e) a fala é do homem que trocou o pneu.

3) Há diálogos no texto e o que comprova isso são:
a) as palavras utilizadas no título.
b) as palavras estrangeiras utilizadas no texto.
c) os sinais de pontuação como o ponto final no fim de cada frase.
d) os travessões indicando a fala dos personagens.
e) as vírgulas no início do texto.

4) Marque (V) para Verdadeiro ou (F) para Falso, em relação às afirmações abaixo
(     ) O homem que trocou o pneu já conhecia o dono do carro.
(     ) A moça ficou feliz por alguém ajudá-la a trocar o pneu.
(     ) O homem vivia trocando pneus pela cidade devido à sua compulsão.
Em relação ao contexto da história, a sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
a) F – F – F.
b) F – V – F.
c) V – V – V.
d) V – F – V.
e) V – V – F.

5) Mesmo que não esteja claro no texto, podemos concluir que:
a) o homem não teria trocado o pneu se visse que o carro não era da moça.
b) o homem não teria trocado o pneu se não fosse compulsivo.
c) o homem teria trocado o pneu de qualquer maneira.
d) o homem achou que ganharia dinheiro pelo serviço.
e) o homem percebeu que ajudaria uma pessoa importante.

Texto 02

Vá às compras e salve o mundo
    Finalmente, um discurso sustentável vem absolver nosso pecado favorito: o consumismo. Entenda aqui como é possível se esbaldar nas lojas sem poluir o ambiente. A resposta está na árvore ao seu lado.
Sabine Righetti e Karin Hueck
    Não ande de carro, não coma carne, não produza lixo, não gaste água e nem ouse ter filhos. Poucas coisas são tão negativas (e chatas) quanto o discurso ecológico radical, que prega que devemos fazer de tudo para causar o menor estrago possível ao ambiente. Não é à toa que muitos não aguentam mais ouvir falar no assunto. Mas, finalmente uma nova proposta percebeu que fazer “menos mal” ao planeta ainda não é o suficiente – é preciso não causar mal algum. (Afinal, gastar menos água ainda é gastar água.) E o melhor: esse novo discurso alivia a consciência dos ecopecadores. Com ele poderemos – não, melhor, precisaremos – fazer compras à vontade, porque assim estaremos também salvando o planeta. Já que empresas sempre vão procurar o lucro e as pessoas sempre vão querer o novo iPod ou a TV de led, o jeito é fazer isso combinar com sustentabilidade. E como isso seria possível? Imitando a natureza e reciclando os produtos eternamente. Parece difícil, mas já está acontecendo – e vai exigir uma mudança de hábito comparável à Revolução Industrial, envolvendo empresas, cidades, casas e pessoas. […]
“Superinteressante”, Edição Verde, dez. 2011, n. 286, p. 72-73.

Questões
1)  No título “Vá às compras e salve o mundo”, o uso do imperativo tem por objetivo:
a) aconselhar
b) ordenar
c) persuadir
d) pedir

2)  O texto trata de um problema que afeta, de forma significativa, o nosso planeta. Que problema é esse?



3)  Defina o “discurso ecológico radical” segundo o texto:



4)  Assinale a passagem que apresenta a solução, segundo o texto, para o problema identificado na questão anterior:
a) “Não ande de carro, não coma carne, não produza lixo, não gaste água e nem ouse ter filhos.”
b) “[…] fazer de tudo para causar o menor estrago possível ao ambiente.”
c) “[…] fazer “menos mal” ao planeta […]”
d) “Imitando a natureza e reciclando os produtos eternamente.”

5) “[…] o jeito é fazer isso combinar com sustentabilidade.”. A que se refere o pronome sublinhado?



6) “Mas, finalmente uma nova proposta percebeu que fazer “menos mal” ao planeta ainda não é o suficiente […]”. Esse período, por meio da conjunção “mas”, estabelece com os anteriores uma relação de:
a) comparação
b) oposição
c) conclusão
d) causa

7)  Note que as palavras iPod e led aparecem em itálico no texto. Assinale a justificativa para o emprego desse recurso:
a) são palavras pouco conhecidas.
b) são termos de origem estrangeira.
c) são as principais palavras do texto.
d) os termos foram escritos incorretamente.

8)  No segmento “[…] fazer compras à vontade, porque assim estaremos também salvando o planeta.”, o termo grifado poderia ser substituído por:
a) pois
b) portanto
c) porém
d) porquanto


Texto 03

Martha Medeiros: A pessoa certa
    Algumas frases se propagam sem que saibamos quem é o verdadeiro autor. É o caso de Enquanto não surge o homem certo, vou me divertindo com os errados, que eu ouvi pela primeira vez num programa da Marília Gabriela ou será que li numa camiseta? Que a frase é espirituosa, nem se discute, mas é uma cilada: acreditar que existe a pessoa certa é a razão dos nossos problemas de relacionamento. Por que a gente insiste em acreditar em lendas?
    Essa entidade abstrata ─ a pessoa certa ─ é aquela que vai entender todas as suas manias, vai adivinhar quando você quiser ficar em silêncio, terá o corpo e a rosto que você idealizou em seus delírios românticos e a sua mãe ─ a sua, não dela ─ vai aprovar sua escolha assim que abrir a porta da sala de visita. Bastará uma rastreada com o olhar e logo ela piscará pra você como quem diz: agora sim.
    Agora sim o quê? Agora você pensa que encontrou alguém com quem não irá brigar jamais e que vai se encaixar com perfeição na sua ambiciosa procura pela pessoa certa, esta que (atenção, spoiler) não existe.
    A pessoa certa pra você é a errada. Lembra da pessoa errada?
    Morava no cafundó do Judas. Ria alto. Não entendia muito os filmes de que você gostava, mas fazia comentários deliciosos a respeito. Era muito mais velha que você. Ou muito mais jovem que você. Não parava em emprego algum e sua coleção de ex era preocupante. Que saudade da pessoa errada.
    Nunca acertou um único presente ─ mas lembrava de todas as datas. Depois de uma hora e meia ao telefone, queria falar um pouco mais e ficava triste se você sugeria que desligassem. Como amava você a pessoa errada.
    Não conhecia nenhum de seus amigos. Nem você os dela. Fumava demais. Ou bebia demais. Ou ambos. Mas nunca teve passagem pela polícia. A fissura por previsões astrológicas era meio exagerada, e já estava na hora de aprender a arrumar a bagunça que era seu apartamento, mas nunca deixou de sair do banho perfumada. E molhando o chão do quarto, claro. Era a incorreção mais bem-vinda para aquele seu momento de entressafra, não era?
    Até que surgiu a pessoa certa. Toda a família comemorou e os amigos respiraram aliviados: agora sim, você tinha alguém a sua altura, agora sim, você não precisaria mais passar por altos e baixos, agora sim, nunca mais um barraco, nenhuma surpresa. Agora sim, um casal padrão.
    Quase posso ver você, daqui a uns meses, usando uma camiseta que diz: “Enquanto não surge a pessoa errada, vou me entediando com as certinhas”.
(Adaptado de http://revistadonna.clicrbs.com.br/coluna/martha-medeiros-pessoa-certa/)

Questões
1) A autora do texto Martha Medeiros acredita que:
a) sempre existe a pessoa certa sem defeitos para começar um namoro.
b) existe uma pessoa certa para cada pessoa.
c) é possível namorar alguém sem brigar.
d) a pessoa certa é apenas uma idealização.
e) a pessoa errada jamais brigará com você.

2) A autora escreve sobre a pessoa que é supostamente concebida mentalmente pela imaginação, e outra pessoa que realmente existe na vida real em outro momento do texto. Marque os trechos que representam a pessoa certa de acordo com a autora:
I – Por que a gente insiste em acreditar em lendas? (linha 5)
II – Essa entidade abstrata ─ a pessoa certa ─ é aquela que vai entender todas as suas manias (…) (linha 6-7)
III – Não parava em emprego algum e sua coleção de ex era preocupante (…) (linha 17-18)
a) I, II e III
b) I e II.
c) I e III.
d) II.
e) III.

3) Quando a autora escreve que “A pessoa certa pra você é a errada”, significa, no presente contexto, que:
a) nos envolvemos com pessoas diferentes daquelas que imaginamos.
b) a pessoa certa aparecerá em sua vida a qualquer momento.
c) a pessoa errada tem mais defeitos do que você.
d) todo namoro não começa bem.
e) devemos nos envolver com pessoas imperfeitas como nós.


4) A partir da leitura do último parágrafo do texto, pode-se concluir que:
a) a frase da camiseta estimula a ficar coma pessoa certa.
b) namorar pessoas certas nos alegram.
c) namorar pessoas erradas nos entediam.
d) a pessoa que usa a camiseta namora a pessoa errada.
e) a frase de camiseta estimula a pessoa a ficar com a pessoa errada.

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